Três empresas em uma só
Esse episódio aconteceu na MAMBO (mam.bo). Na prática, era uma empresa que funcionava quase como três empresas em uma só.
Havia uma agência de marketing, uma empresa voltada para venda de planos de saúde para animais — algo que, até então, eu nem sabia que existia — e uma área de tecnologia bastante estruturada, dividida em três frentes principais:
- desenvolvimento de sistemas
- criação e manutenção de sites e materiais de marketing
- desenvolvimento interno de sistemas de gestão para atender as próprias áreas da empresa
Além disso, havia uma área que atuava diretamente em campanhas políticas, cuidando de captação, marketing, pesquisa e acompanhamento de estratégias. Foi ali que percebi o cuidado com palavras, revisão minuciosa e o impacto que pequenos detalhes podem causar.
Uma única TI para três negócios
Apesar de parecerem três empresas distintas, havia uma única área de TI, organizada em três setores. Fui contratado para os sistemas internos, rapidamente também para os sistemas externos, e em pouco tempo passei a responder pelas três frentes tecnológicas, incluindo suporte técnico e estrutural para o marketing.
O ambiente era muito mais voltado para cloud e múltiplos clientes externos, já que a empresa operava como agência de marketing e softhouse. Eu precisava garantir sustentação tecnológica de diversas empresas clientes, cada uma com suas próprias demandas.
O desafio tecnológico
A diversidade tecnológica era grande. Lidávamos com:
- sistemas clássicos em PHP
- múltiplas instalações de WordPress
- ambientes com versões muito diferentes e muitas vezes conflitantes
- aplicações mais modernas utilizando Python e Django
No lado de bancos de dados, havia MySQL, SQL Server, Oracle e MongoDB. Era um ambiente heterogêneo, convivendo tecnologias muito antigas e outras bastante modernas.
Sistemas de terceiros e produtos-chave
Também prestávamos suporte a sistemas de terceiros que haviam sido originalmente desenvolvidos internamente. Um dos mais importantes era a solução do Parque das Flores, voltada para planos funerários, que depois inspirou a venda de planos de saúde veterinários — um produto extremamente rentável.
Demanda simultânea e softhouse
Havia muitas demandas ao mesmo tempo. A empresa se apresentava como softhouse, e eu precisava coordenar três equipes com necessidades completamente diferentes, enquanto lidava com clientes externos e projetos em andamento.
A primeira crise
Logo no meu primeiro dia, fui apresentado a um cliente extremamente irritado, que ameaçava cancelar o contrato por atrasos. Passei mais de duas horas conversando com o CEO, renegociei o prazo e ainda trouxe dois novos projetos adicionais. Isso fez o dono me colocar à frente das negociações de crise com clientes.
Passei a me deslocar com frequência para visitar clientes, resolver conflitos, conduzir reuniões e oferecer treinamentos.
Conciliar tudo
Gerir equipes, acompanhar tecnicamente, atender clientes e resolver crises se tornou desafiador e desgastante, mas também muito realizador.
A transformação do time
Havia projetos com anos de atraso. Criei desafios e metas internas, com premiações simbólicas (muitas vezes do próprio bolso). Eu brincava que o segredo era "pizza e lasanha" para engajar.
O time se reuniu em fins de semana para estudos e troca de conhecimento. Em menos de dois meses, a transformação era visível.
Formação e multiplicação de conhecimento
A empresa mantinha muitos estagiários e profissionais juniores cobrindo tarefas de nível sênior. Estruturei uma multiplicação de conhecimento, com os mais experientes treinando os demais.
Começaram a surgir novos talentos e novos líderes, que assumiram contato direto com clientes e lideraram projetos. Criei braços fortes e lideranças especializadas para dividir responsabilidades e elevar a qualidade das entregas.
Resultados e escolhas difíceis
Em menos de dois meses a qualidade subiu. Fiz uma revisão completa dos contratos para decidir o que cancelar e o que era estratégico. A responsabilidade cresceu, muitas vezes parecia que o dia precisava ter 36 horas.
Mesmo assim, a experiência foi extraordinária e o entrosamento entre os times ficou evidente. A MAMBO segue consolidada como agência de marketing.
A entrevista inesquecível
Uma das partes mais marcantes foi o processo seletivo. Perguntaram: "Por que deveríamos contratar você?". Respondi: "Eu não me contrataria."
Expliquei que havia falido recentemente, após investir todas as reservas em um empreendimento que não deu certo por questões políticas, e que precisava recomeçar.
"Eu sei o que é errar, mas também sei o que é não desistir. Quem sente a dor de cair e encontra força para se levantar conhece o valor de tentar de novo. Eu sei o que é falhar, e justamente por isso sei que vou dar o meu melhor — e ir além."